Juntos, verso vivo por muito tempo, imerso em sonhos tecidos a quatro mãos. Até o incontornável instante em que as sílabas se romperam. Irreconhecíveis, escorreram pelas duas faces. Depois de tanta morada em página compartilhada, foi assim que se desfez de vez aquela poesia: ali mesmo, umas horas antes de a noite se espalhar, densa, pela cidade. Como esperado, já caminhavam cada um para um lado, meio perdidos, recolhendo um resto rasgado de letras que ainda pingavam - dos olhos e das bocas mudas - para guardá-las em algum canto esquecido de suas novas casas.