Descobri-me colecionadora de nuvens
E das cores do tempo
Fotografo seu olhar dentro da moldura
Da memória de
Um dia de hálito quente
                do gosto da sua língua e
                 de dedos esculpindo a pele
Abro a porta e vejo injustiças escondidas
No fundo de um armário
Uma silhueta sozinha grita
É a mim que agarram sob a luz do sol
Fotografo meu olhar fora da ordem
Num dia de pulso frio,
Numa ladeira de faces pálidas
Você já não está
Acordo e vejo injustiças amontoadas
Sob cobertores nas calçadas da avenida
Mas o museu anda bonito
Tem sempre atrações a conhecer
                      de novo
Fotografo nossos braços lado a lado
Na frente do quadro que nos olha
Sua mão tensa
Sem tatuagem, sem anéis
Sua boca ocupando todo o espaço
Fotografei
Fotografo
Tudo o tempo todo
Enquanto uma pilha
de bagunças do mundo
Me deixa apenas um canto como refúgio
Faço coleção de nuvens
De cores do tempo
De retângulos 
Em um deles te vejo dormindo
Enquanto amo em silêncio.

Mel Neves
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